
Coronel Cardoso
Ainda comovidos pela perda trágica e precoce de quatro bravos guerreiros da Polícia Militar do Estado de Goiás em acidente ocorrido no último dia 24, na BR-364, em Cachoeira Alta, é preciso fazer uma reflexão sobre a missão desses valorosos policiais, que literalmente deram suas vidas no desempenho de seu ofício de proteger a sociedade goiana. Gleidson Rosalen Abib, Liziano José Ribeiro Junior, Anderson Kimberly Dourado de Queiroz e Diego Silva de Freitas. Estes são os nomes dos heróis do Comando de Operações de Divisas (COD) da Polícia Militar de Goiás, que tiveram suas vidas ceifadas durante um patrulhamento em um acidente de trânsito trágico.
De um instante para o outro, quatro famílias perderam seus pais e filhos, suas referências de vida. Com os familiares, milhares de outros policiais choraram pela perda de colegas. Morreram quando faziam um deslocamento durante o serviço operacional. Perderam a vida lutando o bom e justo combate, na defesa da população.
Um fato chamou a atenção de nós, policiais militares: a forma como o assunto foi tratado, principalmente por parte dos veículos de comunicação de nosso Estado, com notas frias, sem sentimento. Faltou principalmente o sentimento de gratidão a esses heróis de farda, que se foram quando desempenhavam com dignidade sua missão. Com exceção dos familiares dos mortos e dos irmãos da PM, não vimos grandes manifestações de pesar. A leitura que se pode fazer disso é de que não importa, afinal, são apenas policiais militares.
Para nós, isso é pura falta de reconhecimento, com a qual muitas vezes nos deparamos, mas seguimos em frente, pois sabemos que temos um propósito maior nessa terra. Como diz a palavra, nossa autoridade foi dada por Deus, e com certeza Ele honrará estes e todos os guerreiros que diuturnamente contribuem para uma sociedade melhor.
Nesse cenário de indiferença por parte de tantas autoridades, que nem se dignaram a tornar público uma nota de pesar, a justiça seja feita ao governador Ronaldo Caiado. Ele reconheceu o sacrifício desses guerreiros do COD, lamentou a tragédia que os vitimou, foi ao velório, confortou parentes de sangue e de farda, chorou conosco. Esse reconhecimento é muito importante e nos conforta a todos em um momento de tamanha dor.
Ser policial militar é dedicar a sua vida a serviço do outro, é enfrentar situações que pessoas comuns nem imaginam no dia a dia, é colocar aquele que não se conhece em primeiro lugar, deixando até mesmo a sua família para depois.
Ser policial militar é encarar um juramento de entregar a sua vida para servir a sociedade, algo que nenhuma outra profissão faz. É também abrir mão de direitos em busca de deveres a serem cumpridos, e que muitas vezes são negligenciados pela sociedade.
Ser policial militar é parecer sobre-humano, como se não sentisse dor, frio, sono, fome ou as angústias de uma pessoa normal, mas não é verdade, somos pessoas que sangram, que sentem e que choram. Ser policial militar é enfrentar a incompreensão e a falta de gratidão por parte daqueles que deveriam reconhecê-lo e seguir em frente porque é preciso, porque é uma missão de vida.
Coronel Allan Cardoso é presidente da Assof Goiás e comandante do 2º Comando Regional da PM em Aparecida de Goiânia